Ex-voluntária partilha experiência em artigo

Ex-voluntária partilha experiência em artigo

Em 2010, durante o segundo ano do ensino médio em Teresina, cidade em que morei a maior parte da minha vida, tive meu primeiro contato com o trabalho voluntário. Tratava-se apenas um dos programas que são realizados por uma ONG Internacional que agora eu começava a aprender o nome: Junior Achievement. 


Nos meses seguintes, após o fim do programa miniempresa, me engajei com as outras atividades da JAPI - Junior Achievement Piauí - e, posteriormente, do NEXA - Núcleo de Ex Achievers. Foram cinco anos envolvida com projetos, concursos nacionais, viagens de capacitação, organização de eventos e fóruns de empreendedorismo para centenas de jovens. Essa experiência influenciou diretamente a escolha do curso que ingressei na Universidade e foi porta de entrada para a outra ONG Internacional que eu também fiz parte por 5 anos, a AIESEC (uma outra grande oportunidade de conhecimento, aprendizado e desenvolvimento). 


Por isso, esse artigo é sobre o que eu aprendi e ganhei com o trabalho voluntário que realizei por oito anos:


Desenvolvimento Pessoal

Esse, com certeza, foi o principal aprendizado e, fugindo um pouco da ideia de deixar o melhor pro final, optei por trazê-lo pro início. Imagina o quão revolucionário é para uma jovem na transição do colégio/adolescência para a universidade/vida adulta ter a oportunidade de viver experiências de múltiplas trocas humanas e vivências plurais? Assim é o trabalho voluntário. Junto a ele, vivi inúmeras situações me levaram a (re)pensar muita coisa sobre mim e sobre o mundo. Potentes questionamentos e reflexões me atravessavam, mas o objetivo não era encontrar as respostas, e sim aproveitar o caminho até elas, não é mesmo? Nesse percurso, a importância estava em desprender-me de verdades absolutas e naturalizadas. Era preciso aprender a lidar com planejamentos que nem sempre dão certo, trabalhar com diferentes perfis de pessoas, com valores distintos e conflitantes. Entrei uma Cláudia, saí outra. 


Soft Skills

O mercado de trabalho por muito tempo valorizou bastante somente as Hard Skills: conhecimento sobre diversas plataformas, softwares, capacitação técnica, idiomas, dentre outras. Atualmente, contudo, é cada vez mais forte a necessidade a relevância dada às Soft Skills: habilidades e competências que são essenciais para um profissional. Esse foi exatamente o segundo maior ganho que o voluntariado me deu. Criatividade, persuasão, proatividade, relacionamento interpessoal, senso de liderança e trabalhar sob pressão são algumas, dentre tantas outras, das soft skills que aprendi durante a execução de projetos, participação em concursos nacionais, organização de eventos, trabalho com o time. Essas são habilidades mais difíceis de quantificar, mensurar e reconhecer, mas não tenho dúvidas de que a Junior Achievement proporciona esse privilégio.


Experiência profissional

Cada campus universitário tem suas particularidades, mas, no caso do curso de Administração da Universidade Federal do Piauí que eu cursei; sentia muita falta de oportunidades de estágio ou atividades extracurriculares que realmente me ensinassem o que estava buscando como profissional. Sentia-me pouco desafiada ou, ainda, que os alunos poderiam ter seus potenciais mais explorados. Assim, encontrei no trabalho voluntário a principal forma de agregar ao meu currículo todas as experiências importantes que um estágio convencional não me daria. E como foi enriquecedor! Hoje, aplico muito do que aprendi no trabalho atual, o que me faz compreender que os ensinamentos que tive não eram só profissionais, mas de vida.


Visão e vivência Global

Na Junior Achievement tínhamos um lema muito importante: pensar globalmente, agir localmente. E foi exatamente trabalhando voluntariamente que tive meu primeiro contato com pessoas de diferentes lugares e culturas. A importância ia além de achar divertido conhecer outros sotaques, e passa por descobrir novos costumes, ampliar a visão de mundo, ser empática com outras realidades às quais eu não conhecia. Logo, dois aspectos fundamentais são expressos a partir disso: pensar globalmente é saber que todas as nossas ações estão conectadas e agir localmente é transformar todos esses aprendizados globais em ações que gerem impacto local, transformando a comunidade que fazemos parte. É sobre ganhar o mundo, mas tendo em mente nosso dever social, ético e político.


Agente de mudança

Quase todo trabalho voluntário está diretamente ligado à uma causa. A Junior Achievement tem como um de seus principais objetivos despertar o espírito empreendedor no jovem. Durante a minha jornada nessa organização, fui instigada não somente a me interessar pelo empreendedorismo, mas também a entender quais eram as minhas causas pessoais e como eu poderia lutar por elas. Então, no fim do dia, o trabalho voluntário também é sobre o que você está entregando de volta para o mundo, para a sociedade e, nesse sentido, é sobre entendermos que somos os principais agentes de mudança de nossa realidade.


Bom, esses são somente alguns dos principais aprendizados que o trabalho na Júnior Achievement me proporcionou a partir do método "aprender fazendo", já que não seria possível apresentar todos aqui. Me sinto realizada em saber que a cada nova geração mais jovens podem ter essa que foi uma das experiências mais valiosas da minha vida. Essa "organização de nome estranho" é responsável por mudar vidas e sinto-me honrada em saber que a minha foi transformada por ela. 

O trabalho voluntário não te paga com dinheiro, mas com aprendizados muito mais valiosos. E você, o que está fazendo hoje que te transforma?


Cláudia Cabral Nunes

Especialista em projetos - Customer Success na GUPY


02.Sep


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